Com futuro cada vez mais negro Totonho ultrapassa um milhão de acessos em streamings
por DALMO OLIVEIRA*

Lançado em meados de julho, o mais novo “disco” de Totonho e os Cabas já ultrapassa o primeiro milhão de acessos nas plataformas digitais de streamings tocadores de música.
Enquanto nos deliciávamos comendo um belo acarajé ( no Canto do Acarajé, do meu camarada baiano Osmar) no antigo mercado público do bairro dos Bancários, na zona sul da capital paraibana, Seu Antônio Carlos foi me contando um pouco mais sobre suas perspectivas com o novo trabalho, Aí dentu: Funk de Embolada e Hip Hop do Mato.
Quem conhece o maluco mais de perto já sabe das fuleiragens que o filho de Luzia Gorda (in memoriam) adotou como estratégia discursiva e apelo estético em seu trabalho. E ele segue cada vez mais ácido, politicamente incorreto, escroto (no bom sentido!) e genial.
Nessa linha, destaque para as faixas “A Comentarista”, “Emboledance”, “Quer trocar?” (com participação de Ruanna), “Oi Amor” e “Pega o Beco”, uma salsa amerengada super-dancante com a participação de Bixarte.
Mas, o Totonho essencial está aqui também. “Sulandê”, com a participação luxuosa da Mestra Ana do Côco (do Quilombo Ipiranga). “AmaZona”, que ilustra a complexidade de um Brasil berço da diversidade ambiental saqueado por piratas de todos os matizes. “O Pagé”, uma crítica contundente à Saúde Pública. “Webcam” que viaja na onda de uma sociedade auto-vigiada. E “Balança de precisão” (com participação de Pedro Osmar) que traz uma crítica mordaz contra o Sistema de Justiça.
O caba vai dizer que seu novo trabalho é uma espécie de “meme sonoro”. Jornalista de formação, Totonho costuma batizar suas últimas músicas como se fossem um manifesto “afro-tupi”. O Funk e o Hip Hop vêm na bagagem sonora dele desde que viveu em Santa Tereza e adjacências. O Côco, A Embolada, O Aboio e o Forró não precisa nem dizer de onde Totonho recebeu.

A vivência de Totonho no Rio de Janeiro moldou definitivamente sua visão de mundo, sua negritude, sua cidadania, tendo atuado em ONGs de apoio e proteção às crianças e adolescentes na realidade cruel carioca. Um cara que praticamente testemunhou os preparativos da chacina da Candelária, que sofreu várias situações de ameaças e atentados. Ele sabe o que canta!
O novo trabalho (sexto álbum de Totonho) tem produção-executiva da Toroh Música&Cultura e foi lançado pela YB Music. Recebeu financiamento do edital público 2023-2024 do Rumos Itaú Cultural. Outro diferencial de Totonho é a capacidade que ele tem de arregimentar profissionais superantenados com sua proposta, como o produtor musical Renato Oliveira (Gôta Sonora), André Abujamra, Marcelo Macedo e Furmiga Dub. |E de músicos e de artistas parceiros e parceiras como Paulo Ró, Paula Sentis, Val Donato, Lorena Monteiro, Madu Aya, Mari Santana, Ruanna Gonçalves, Bixarte, Rica Amabis e Alexandre Garnizé. Ao vivo, a banda que o acompanha tem figuras como Chico Limeira, Nildo Gonzalez, Ernani Sá, Daniel Jesi e DJ Guirraiz. Somente!
Depois do acarajé e bebidas com açúcar zero dei uma carona para ele até a Praça da Paz. Morador do Castelo Branco, Totonho encontra sempre sua noite negra antes de pegar o beco.
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*DALMO OLIVEIRA é negro, jornalista e ogã.
