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Conferência discute políticas públicas de Direitos Humanos

por Dalmo Oliveira*

Conferência mobilizou vários atores dos movimentos sociais da Paraíba | fotos: Dalmo Oliveira

Paraíba não realizava consulta há quase uma década

Uma das conferências de políticas públicas mais importantes do país voltou a ocorrer, em nível estadual, nos dias 09 e 10 em João Pessoa, reunindo cerca de 600 participantes. A quinta edição da Conferência Estadual de Direitos Humanos ocorreu nas dependências do Centro de Educação (CE), no campus I da UFPB, no bairro do Castelo Branco, na capital paraibana.

O evento foi pontuado pelo fato de que há quase uma década não era realizado na Paraíba, o que fez paralisar uma série de políticas públicas relacionadas à temática, notadamente nos campos da Saúde, da Educação, do Acesso à Terra e ao tocante ao Sistema Prisional e Acesso à Justiça.

No segundo dia foram divididos grupos para elencar propostas sobre os seguintes temas: Enfrentamento das Violações e Retrocessos; Democracia e Participação Popular; Igualdade e Justiça Social; Justiça climática, Meio ambiente e Direitos Humanos; Proteção dos Direitos Humanos no contexto internacional e ainda Fortalecimento da Institucionalidade na promoção e proteção dos Direitos Humanos.

Uma das propostas apresentadas foi o da criação de uma Defensoria voltada aos direitos dos públicos e das audiências de veículos de Comunicação, como rádios, TVs e portais de internet. Concurso para a carreira de defensores públicos e ampliação da rede de Defensorias no interior do Estado também foram propostos pelos delegados do evento.

Auditório do CE abrigou as plenárias

Um elenco de reivindicações foi apresentado por setores que são o público prioritário do Conselho Estadual de Direitos Humanos, principalmente composto por representantes da população negra, povos indígenas, comunidades ciganas e tradicionais, religiosos de matriz africana e ameríndia, grupos, movimentos e ONGs de defesa dos direitos da cidadania LGBTQIAPN+.

Além desses, a conferência atraiu ativistas do Movimento de Pessoas Atingidas por Barragens, familiares de crianças autistas e outras doenças cognitivas e doenças raras (pais e mães atípicos), ativistas ambientalistas e de justiça climática, militantes pelo direito à moradia, trabalhadores ambulantes, estudantes e professores universitários.

Para Alexandre Guedes, presidente do Conselho Estadual, a conferência teve como tarefa mais necessária estartar a elaboração de um Plano Estadual de Direitos Humanos a ser remetido à Assembleia Legislativa e ao Governo do Estado.

A etapa estadual elegeu delegados e delegadas para a Conferência Nacional, que ocorre a partir do dia 10 de dezembro em Brasília.

Delegação paraibana estará na etapa nacional em Brasília no mês de dezembrp

Fatalidade

Uma fatalidade ocorrida no segundo dia do evento transformou as últimas horas da conferência em momentos de tristeza, angústia, comoção e luto pelo falecimento de um dos participantes. Sebastião Rodrigues, mais conhecido como “Bão”, gerente-executivo da Secretaria de Diversidade Humana da Prefeitura do Conde, foi a óbito na tarde da sexta-feira, dia 10, após passar mal no início da tarde. Ativista LGBTQIAPN+, Bão vinha enfrentado problemas de saúde em decorrência da diabetes.

No primeiro dia da conferência, Bão reivindicou garantia de vagas para os delegados do Conde, para a etapa nacional, alegando que o município havia sido o único em toda a Paraíba a realizar sua conferência municipal. A proposta foi rejeitada pela plenária da conferência estadual.

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*Dalmo Oliveira é jornalista. Participou da 5ª Conferência Estadual de Direitos Humanos representando a Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias (ASPPAH) e o Fórum Paraibano de Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR).
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