CULTURA

Mostra de audivisual exibe documentários de paraibanas em Guarabira

No Cinemaxxi do Shopping Cidade Luz serão exibidos seis curtas-metragens

Guarabira, no Agreste paraibano, é a segunda cidade a exibir, em sala de cinema, o documentário “Raízes da Cura: Neves Oliveira e o legado da fitoterapia ancestral”. O filme, de 26 minutos, recebeu financiamento em 2024 da Lei Paulo Gustavo (LPG). Além da narrativa biográfica riquíssima da protagonista, a obra traz para o público a importância de uma prática fitoterápica como legado da sabedoria popular, dos conhecimentos imemoriais.

Raízes da Cura é um dos convidados da primeira edição da Mostra Curta Elas! que ocorre nesta sexta-feira, dia 08 de agosto, a partir das 19h30, no Cinemaxxi do Shopping Cidade Luz, na Rainha do Brejo. O filme teve sua avant-premier em novembro, na capital, João Pessoa.

O diretor estreante Dalmo Oliveira, jornalista profissional nascido em Guarabira no final da década dos 60’s, documenta a trajetória de sua tia (por parte de mãe), considerada uma das últimas “raizeiras” paraibanas. É a trajetória de Maria das Neves Oliveira, que usa a fitoterapia ancestral para produzir diversos produtos chamados de “remédios caseiros”. Com receitas que vieram do conhecimento popular, a senhora atende em casa as pessoas da comunidade com seus xaropes, pomadas, garrafadas, fortificantes, shampoos e um famoso composto orgânico de multimistura, a partir de grãos variados.

“A ideia inicial partiu de alguns amigos da minha tia, que já haviam me sugerido escrever um livro sobre ela. No ano passado, com o edital público da Lei Paulo Gustavo, nós decidimos que um filme-documentário sobre esse tema seria viável. E agora estamos apresentando ao público o resultado dessa iniciativa, que é muito mais coletiva do que minha, individualmente”, diz o realizador.

A equipe arregimentada para o projeto começou a trabalhar em fevereiro do ano passado. As metas principais eram registrar e resgatar a memória de uma das últimas “raizeiras” da contemporaneidade paraibana, mostrando sua trajetória, sua iniciação na fitoterapia tradicional, suas receitas e métodos laborais, que reside desde os anos 80 no bairro Ernesto Geisel, na zona sul da capital paraibana.

Partimos de um pré-roteiro elaborado pela teatróloga e diretora Nana Rodrigues, que conhece Neves desde Guarabira, quando a protagonista ainda trabalhava no Hospital Regional, antigo SESP. “No solo fértil paraibano de Alagoa Grande, nasceu uma mulher destinada a carregar consigo séculos de sabedoria. Neves Oliveira, trouxe em suas veias e memória o legado sobre o uso das plantas medicinais e a força ancestral de cura dos povos negro e indígena, que habitam esse pedaço do Brasil”, escreveu Rodrigues no argumento inicial.

O documentário não é apenas uma janela que se abre para conhecermos parte da vida de uma grande mulher, mas também uma chamada à ação e à reflexão. “É um tributo à preservação dos saberes ancestrais de cura pelas plantas medicinais, uma teia que conecta passado, presente e futuro”, diz Nana.

Para o idealizador e diretor, o filme, que foi integralmente financiado pelo Edital Chamamento Público n° 005/2023 no âmbito do Edital da Lei Paulo Gustavo (LPG) da primeira Regional da Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba, mostra ainda nuances de uma atividade popular que está se perdendo no tempo, através das peculiaridades da personagem central. “Além de jogar luzes sobre a trajetória de Neves, queremos também reverenciar a ancestral capacidade das mulheres nordestinas na produção de fitoterápicos”, detalha Oliveira, que antes dessa produção tem no currículo alguma experiência com audiovisual no campo da difusão de tecnologias agropecuárias.

O filme mostra como acontece o entrelaçamento entre o conhecimento popular medicinal sobre o uso das raízes e das plantas, que comumente são chamados de “remédios caseiros” e os procedimentos básicos das técnicas laboratoriais de farmacologia testadas e disseminadas pela universidade pública. “Tia Neves levou seu conhecimento para o antigo Laboratório de Tecnologia Farmacêutica da UFPB, o LTF, no período em que foi coordenado pela ex-reitora Margareth Diniz. Isso deu respaldo pra ela e abriu as portas da Universidade para outros raizeiros populares, há mais de 20 anos”, detalha o diretor.

Dalmo diz que seguiu os guias consagrados da produção cinematográfica documental e mostra detalhes de algumas receitas que vieram do conhecimento popular. O filme mostra ainda o lado humanitário e o compromisso social da protagonista, que atende, em casa, pessoas da comunidade. Ele acrescenta que seu filme fala, antes de tudo, de resiliência, de fé, companheirismo e de amor ao próximo.

FICHA TÉCNICA

Argumento, Produção e Direção: Dalmo Oliveira

Consultoria Técnica, Coprodução, Direção De Fotografia E Edição: Jonathan Dias

Pré-Produção: Dalmo Oliveira, Fabiana Veloso e Adriano Dias

Pesquisa: Dalmo Oliveira e Geovani Jacó De Freitas

Pré-Roteiro: Nana Rodrigues

Câmeras: Jonathan Dias e Alexandre Araújo

Consultoria Técnica (Som Direto, Cenografia E Pós-Produção): Edilson Dias

Trilha Sonora: Mari Santana

Pós-Produção: Jonathan Dias e Dalmo Oliveira

Designe, Marketing, Distribuição, Promoção e Publicidade: DSCOM, Sérgio Ricardo Dos Santos

Contabilidade: Maria Alves

Depoimentos

(Por Ordem De Aparição)

Margareth de Fátima Formiga Melo Diniz

(Ex-Reitora, Pesquisadora da UFPB)

Eliane Cristina

(Técnica De Enfermagem)

Manuel Valdevino da Silva Irmão

(Peixeiro)

Geovani Jacó de Freitas

(Professor de Sociologia da UECE)

Antônio Mendes Da Silva

(Especialista em Assuntos Educacionais do Nuseampo/UFPB; Ativista dos Movimentos Sociais Populares)

Francisco Xavier Pereira da Costa

(Especialista e Consultor em Agricultura Familiar, Educação Popular e Economia Solidária. Ativista dos Movimentos Sociais)

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