
Os habitués do Shopping Cidade Luz, em Guarabira, devem ter notado uma movimentação atípica na entrada do Cinemaxxi, na última sexta-feira, 8, quando o Ponto de Cultura Companhia Cênica Torre de Papel realizou a primeira edição da Mostra Curta Elas! O evento reuniu diretoras e diretores, atrizes, atores e outros profissionais da Sétima Arte, além de intelectuais e ativistas sociais, principalmente do Movimento que representa lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queers, intersexo, assexuais e outras identidades e orientações sexuais e de gênero (LGBTQIAP+).
À frente da iniciativa, a ativista cultural Nana Rodrigues conduzia uma equipe sintonizada com a missão daquela noite. A sala 03 do cinema foi lotando rapidamente. A Mostra tinha por finalidade ampliar a visibilidade pública da produção audiovisual feita por mulheres e ainda jogar luz sobre o cotidiano de mulheres cis e trans. Foram exibidos seis documentários de curta duração, produzidos na Paraíba e em Pernambuco.

“Jurema da Rama à Flor” é um documentário belíssimo sobre um Terreiro conhecido como “Casa do Mestre Zé do Beco”, localizado no bairro do Prado, em Pesqueira (PE). Dirigido por Camila Magalhães, narra a trajetória de Francisca Rodrigues, conhecida como Mãe Tica.
“O Mistério da Lagoa do Caju”, dirigido por Silvinha França e Natali Toledo, tem como gatilho narrativo um sítio arqueológico na zona rural de Araçagi (PB) que possui uma famosa pedra rupestre localizada no sítio Barra da Espingarda. O filme é baseado no livro “A Princesa Encantada Do Reino de Araçagi” e toca na temática do abuso sexual infanto-juvenil que ocorre nos seios das famílias. O enredo mistura a denúncia da violência sexual e as velhas “histórias de trancoso”, com personagens mal-assombrados e criaturas encantadas.
“O Estômago da Baleia” é um curta de ficção inquietante idealizado e dirigido por Camonh. Na linha selfie trash movie, é, praticamente um monólogo que trata da questão do suicídio.
Nana Rodrigues dirigiu também “PerfuMaria – O Aroma das Memórias”. O Curta de ficção, com duração de 15:22 minutos é um “Drama/Poético”. Trata de uma situação bastante comum no Nordeste brasileiro do século passado (mas, ainda ocorre nos dias de hoje), os dramas dos reencontros depois de uma longa maternidade silenciada. Destaque para a atuação de Vera Grangeiro. No elenco ainda os atores Ivaney Justino, Dante Alighieri e Waster Fortunato.

A penúltima exibição da noite foi “Sandy. Eu Sou”, é um documentário gravado em Alagoinha (PB), com direção de Marcelo Félix. Conta a história da cabeleireira trans que quebra os tabus de uma cidade interiorana e se firma como cidadã e empresária do ramo da estética.
Os diretores receberam um troféu artesanal confeccionado pela artesã Tam da Bananeira, da cidade de Araçagi (PB). O evento foi uma realização do Ponto de Cultura Cia Cênica Torre de Papel, com recursos do edital Prêmio Pontos de Cultura da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba, em parceria com o SEBRAE e apoio da Secretaria Municipal da Mulher e da Diversidade Humana de Guarabira.

Cada diretor pode convidar 10 pessoas para assistir os filmes. Da minha cota, prestigiaram o evento o professor da UEPB, Belarmino Mariano e sua esposa Erica Gomes, o amigo e ator Beto Quirino, o ativista Raminho Talisbã, o advogado Antônio Isídio da Silva e sua esposa, a servidora pública Graça Lima e o tatuador Marcelo Ferreira.
Registre-se também as presenças da figurinista Gorett Irineu, do ex-secretário de Cultura e Turismo de Guarabira, o teatrólogo e escritor Tarcísio Pereira e do carnavalesco torrelandês Flauber Santos.
A Mostra teve direito à pipoca e refrigerantes para os convidados e um lauto coquetel ao final das exibições. Tudo muito bacana!

Belo Mariano e Gorett Irineu no hall do Cinemaxx, após a exibição | foto: Beto Quirino
