Anemia falciforme é carro-chefe de nova etapa de cooperação bilateral entre Angola e Brasil
Comitiva visita serviços de referência até quarta em três estados

foto: Assessoria CGSH-MS
Um acordo bilateral firmado entre Angola e Brasil a partir de 2010 começa a ser retomado, com destaque para a área da saúde pública. Comitiva de médicos e especialistas do Ministério da Saúde de Angola (Minsa) encerra nesta quarta, 19, uma série de visitas e reuniões que ocorreram em Brasília*, Belo Horizonte e Salvador.
Angola processa algo em torno de 80 bolsas/dias, cerca de 150 mil bolsas de sangue por ano, mas apenas 20% da doação vem de voluntários. A anemia falciforme é um grave problema de saúde pública angola. Até 2020 o país registrava 11.540 detectados. A estimativa oficial é que quase 2% dos nascidos vivos seja portado dessa hemoglobinopatia. A taxa de pessoas com o traço falciforme é de quase 20% no pais. A taxa de crescimento da população é de 3%, sendo que cada mulher angolana tem uma média de 6 a 7 filhos.
A visita técnica prossegue hoje com uma videoconferência para apresentação do Curso EAD-Teste do Pezinho, envolvendo técnicos da Triagem Neonatal do Ministério da Saúde do Brasil (MS) e de professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O médico pediatra Francisco Domingos, do Instituto Hematológico Pediátrico Dra. Victória do Espírito Santo, informa que Angola realiza 62% das coletas nos municípios do interior do país e que na capital, Luanda, existem 40 postos de coleta em operação. Em todo o país são 234 pontos de coleta de sangue.
Em relação à triagem neonatal, a cooperação irá identificar e selecionar especialistas angolanos para participarem do treinamento EAD oferecido pela UFPR. Técnicos designados pelos dois países farão uma revisão do material pedagógico existente em Angola. A partir daí eles vão elaborar a produção de novos materiais para uso dos treinandos de Angola. Ficou definido que serão ofertadas 200 vagas para técnicos laboratoriais, médicos e gestores. O treinamento on-line deverá ser iniciado em 30 dias, aproximadamente.
O Curso de Extensão em Triagem Neonatal – Teste do Pezinho, organizado na modalidade de Educação a Distância (EaD), tem carga-horária de 170 horas. A coordenação geral é do professor Rogerio Andrade Mulinari.
Domingos diz que todos os produtos utilizados para a triagem neonatal em Angola são importados. Outra característica diferenciada do país africano é o grande contingente de parteiras tradicionais, cuja maioria presta seus serviços pagas pelas famílias das parturientes.