Reforma agrária terá eventos para diversos públicos no RN
Incra abre série de simpósios com debate sobre políticas públicas e reforma agrária Representantes de instituições de ensino e movimentos sociais se reuniram na sede do órgão em Natal
por Lucas Félix*

Na manhã desta sexta-feira (25), o auditório da sede da Superintendência Regional do Incra no Rio Grande do Norte, em Natal, recebeu um público expressivo e diverso para a edição inaugural de uma sequência de simpósios que a autarquia irá realizar ao longo dos próximos meses. Na primeira exposição, o debate refletiu sobre assuntos como mudanças climáticas, agroecologia e desenvolvimento rural sustentável, com atenção especial para as condições do Semiárido nordestino.
Anfitrião do evento, o superintendente David Soares de Souza compôs a mesa de abertura do simpósio celebrando a relação de aprendizado mútuo sobre as políticas públicas entre os órgãos executores, o meio acadêmico e a população. “Falar com as universidades, com docentes e discentes, também é prestar contas para a sociedade”, pontuou. O doutor em Ciências Sociais lembrou que as conferências são uma ampliação do debate interno que já acontece na autarquia e que naturalmente irão contemplar outras pautas e regiões nas próximas edições.
Ele esteve ao lado de representantes de outras instituições federais parceiras do Incra, como a superintendente federal de Pesca e Aquicultura no Rio Grande do Norte Luísa Medeiros. A doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente reforçou a sinergia de ações entre as instituições, destacando ações como os programas de interiorização da carcinicultura e a expansão dos Projetos de Assentamento Extrativistas pesqueiros no estado.
Entre os membros das universidades, a UFRN participou com a professora Joana Tereza Vaz de Moura, doutora em Ciência Política e coordenadora do Núcleo Mandala. Para ela, é importante conscientizar a sociedade de que a pauta da reforma agrária é também a defesa da soberania alimentar do país.
A Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), que enviou turmas de cursos como Engenharia Agronômica e Gestão de Cooperativas, contou com a presença de diversos docentes e do diretor Ivan Max Freire de Lacerda. Com doutorado em Engenharia da Computação, o dirigente refletiu sobre a importância da pós-graduação e se mostrou favorável a que as turmas do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) também passem a incluir atividades na área, como mestrados voltados para manter os talentos graduados na instituição.
Representante da UFERSA (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), o vice-reitor da instituição Nildo Dias foi o primeiro palestrante do dia. Ele expôs os riscos das mudanças climáticas para a agronomia, área em que possui doutorado. “A última década foi mais quente do que qualquer período nos últimos 100 mil anos no mundo”, alertou. Dentro dessa tendência, o professor explicou que o ciclo de secas no Nordeste também passa a se tornar mais frequente do que na média histórica.
“O semiárido brasileiro é o mais úmido do planeta, mas as chuvas são concentradas em poucos meses do ano”, completou. Com isso, as políticas públicas de mitigação se transformam em especialmente relevantes. O perito federal territorial Frederico Kelber reforçou a percepção do docente ao lembrar que “as comunidades atendidas pelo Incra dependem tanto do Estado quanto dos recursos naturais para seus modos de vida, sentindo os impactos ambientais de maneira mais forte”.

Os participantes também foram convidados a interagir com a mesa. Dalmo Oliveira, doutorando em Estudos da Mídia na UFRN e analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),atualmente prestando serviços na Superintendência Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) no Rio Grande do Norte, lembrou que as preocupações com o aumento das temperaturas devem ser pauta também para agricultores e instituições, no tocante à questão da garantia do bem-estar animal, como bovinos, ovinos e caprinos, que também são sustentáculos para a agricultura familiar no Semiárido do Nordeste.
O segundo palestrante foi o doutorando em Ciências Sociais Marcos Aurélio Freire da Silva, integrante do Laboratório de Estudos Rurais (LabRural) da UFRN. Em sua fala, ele pontuou que “o Incra é uma ponte para as políticas públicas chegarem aos territórios, transformando as regras em situações concretas. O desafio é compatibilizar normativas nacionais e especificidades dos assentamentos”.
O debatedor Julio Cesar Gomes da Cruz, perito federal territorial do Incra, assentiu lembrando que essa atenção aos detalhes regionais precisa de um empenho expressivo de recursos humanos, valorizando a atuação dos servidores da autarquia.
As falas foram acompanhadas por representantes de movimentos sociais de diversas regiões, que aplaudiram a iniciativa de diálogo e reivindicaram uma maior participação nos próximos encontros. Dentro dessa iniciativa, o superintendente David Soares adiantou que a sede potiguar do Incra será palco de um encontro de colaboradores do RN e de outros três estados do Nordeste em novembro para o debate dedicado às comunidades quilombolas.
O simpósio foi prestigiado ainda por outras autoridades, como a Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura no Rio Grande do Norte, Luísa Medeiros. O secretário-adjunto de Agricultura Familiar, José Flamínio de Oliveira Filho, e o subcoordenador de Aquicultura Armênio da Costa Britto Neto, representaram do Executivo estadual do RN.
