Eleições 2026NOTÍCIASOPINIÃO

Quarto mandato de Lula favorece crescimento de Paraíba e RN

por DALMO OLIVEIRA

Print de vídeo postado pelo governador Lucas Ribeiro em seu perfil no Instagram

Para alguém mais desavisado, observando aquele jovem branco, alto e forte em cima do trio elétrico que atravessava as avenidas principais do Alecrim, ontem à tarde em Natal (RN), posicionado logo atrás do Presidente Lula, poderia se confundir achando que se tratava de apenas mais um guarda-costas. Mesclando semblante sorridente com feições mais sérias e atentas, Lucas Ribeiro, governador recém-eleito da Paraíba, inaugurava ali um primeiro grande ato público em sua carreira como uma das mais novas promessas na política regional nordestina.

Lucas Ribeiro Novais de Araújo é advogado que iniciou sua trajetória pública em Campina Grande. Com quase dois metros de altura, ele não perece com um “nordestino típico” e chama a atenção pela condição física e porte atlético. “O Nordeste não foge à luta! Eu tenho certeza que, se não fosse um Presidente nordestino, essas obras jamais teriam saído do papel, porque você sabe o que é ser sertanejo, ser nordestino, aqueles que precisam de universidade, daqueles que precisam de hospitais”, declarou durante o evento.

Nesse terceiro mandato de Lula, as principais obras estruturantes de alcance interestadual que beneficiam simultaneamente a Paraíba e o Rio Grande do Norte concentram-se na segurança hídrica, na integração das águas do Rio São Francisco e no abastecimento de água no Semiárido.

Faz-se necessário distinguir obras federais propriamente ditas daquelas executadas por estados com recursos da União. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional tem divulgado o avanço dos ramais que vão levar água a mais regiões do Nordeste, como o Ramal do Apodi em construção, com entregas parciais, que tem investimento federal divulgado de cerca de R$ 1,45 bilhão.

Trata-se de uma extensão do Eixo Norte da transposição do São Francisco, com aproximadamente 115,5 km, ligando a região da Barragem Caiçara, na Paraíba, à Barragem Angicos, no Rio Grande do Norte, passando pelo Ceará. A obra garante o abastecimento humano, apoio à produção agropecuária e maior segurança hídrica para comunidades dos dois estados. Beneficiando uma população prevista de aproximadamente 750 mil pessoas em 54 municípios, segundo divulgação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O primeiro trecho foi inaugurado em maio de 2025. Em julho de 2026, o Governo Federal anunciou a inauguração do túnel Major Sales, na divisa entre os estados.

O Velho Chico venceu, simplesmente, 412 km e chegou no Rio Grande do Norte. O sistema de canais, estações de bombeamento e reservatórios da transposição constitui a infraestrutura central para levar água às regiões semiáridas da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Na Paraíba, a transposição reforça os mananciais e do abastecimento no Sertão, além da passagem da água que segue pelo sistema do Rio Piranhas.

O projeto como um todo foi concebido para beneficiar cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de quatro estados: Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

Em junho de 2025 a águas da transposição do São Francisco chegam à Barragem Engenheiro Ávidos, na Paraíba, localizada em Cajazeiras, a barragem foi revitalizada e integrada ao sistema de aproveitamento das águas do São Francisco. O reservatório faz parte do percurso hídrico pelo qual a água segue pelo Rio Piranhas em direção ao território potiguar, com investimento divulgado na casa dos R$ 34,3 milhões para as obras de recuperação e modernização. A previsão é de cerca de 83,5 mil pessoas beneficiadas pela entrega.

O que esses investimentos representam regionalmente? O principal aspecto é que essas obras funcionam como um sistema integrado, e não como projetos isolados. A água pode ser captada e transportada, passar por estruturas de controle e reservatórios na Paraíba e seguir pela rede hidrográfica do Rio Piranhas em direção ao Rio Grande do Norte. O Ramal do Apodi amplia as possibilidades de distribuição, sobretudo para o oeste potiguar e áreas do Sertão paraibano.

Isso tem três implicações principais: Abastecimento público: maior capacidade de enfrentar períodos prolongados de estiagem. Desenvolvimento econômico: mais segurança para atividades agropecuárias e outros usos produtivos da água, dentro das disponibilidades e regras de operação. E ainda fortalecimento a integração regional, porque os investimentos feitos em um estado podem produzir efeitos positivos no outro, exigindo coordenação entre a União e os governos estaduais.

Paraíba e RN são irmãos siameses na região

Com uma possível vitória de Cadú (PT) agora no segundo turno, Paraíba e RN devem estreitar ainda mais a colaboração mútua e parcerias oriundas das gestões da Professora Fátima Bezerra (PT) e João Azevedo (PSB). Potiguares e paraibanos possuem um lastro cultural comum, na gastronomia, nas manifestações culturais, nas características edafoclimáticas sertanejas, nos desafios da infraestrutura.

A distância entre as duas capitais pode ser vencida, de carro, em pouco mais de duas horas pela BR 101. Uma integração ferroviária pode ser um investimento futuro bacana, talvez com apoio dos chineses. A infraestrutura nos portos paraibanos e norteriograndenses também já está na rota do planejamento federal apoiado pelas gestões administrativas dos dois estados vizinhos.

Há ainda uma forte integração da Rede Pública de Educação, ainda mais agora com a expansão dos Institutos Federais nos polos interiores de RN e PB. As universidades federais e estaduais dos dois estados já colaboram mutuamente há décadas.

Embrapa

Nos últimos meses ressurgiu com mais força uma mobilização de especialistas da agropecuária fomentando a necessidade da criação de uma nova Unidade de pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) no Rio Grande do Norte. Em um documento técnico entregue à governadora Fátima Bezerra, o centro de pesquisas da Embrapa no RN teria amplas condições de oferecer uma atuação estratégica em Agroecologia, Agricultura Familiar e Sistemas Agroalimentares Adaptados ao Semiárido.

A proposta parte de uma constatação objetiva: o Rio Grande do Norte não dispõe de um Centro de Pesquisa da Embrapa instalado em seu território, apesar de apresentar características sociais, ambientais, econômicas e produtivas que justificam a presença permanente de uma estrutura federal de Ciência, Tecnologia e Inovação voltada às especificidades do Estado e do Semiárido. “Mais do que suprir uma lacuna territorial, a implantação de uma unidade no RN representa uma oportunidade de inovação institucional para a própria Embrapa, permitindo ampliar a capacidade de pesquisa, desenvolvimento, validação e transferência de tecnologias voltadas à transição agroecológica, à agricultura familiar, à convivência sustentável com o Semiárido e à construção de sistemas agroalimentares resilientes”, afirma o agrônomo Ernani Jardins, atualmente atuando na equipe do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), em Natal.

Paraíba e Rio Grande do Norte também podem ampliar suas trocas institucionais na área da Saúde, através da rede de hospitais públicos regionais em polos como Guarabira, Picuí, Patos, Catolé do Rocha (no lado paraibano) e Caicó, Currais Novos, Caraúbas e Apodi (no lado potiguar).

/////////////////

DALMO OLIVEIRA é paraibano, jornalista e dourando em Estudos da Mídia pela UFRN.

Mostrar mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo